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Assimilar bem para não confundir

Postado 16 de março de 2016 às 15:26   /   por   /   comments (0)

CARLOS ANTÔNIO DE BARROS
jornalista1938fenaj@gmail.com
João Pessoa – PB

O livre arbítrio, dentro da minha acanhada percepção, é uma faca de dois gumes afiadíssimos. Se descuidarmos, pode fazer muito mais mal do que bem. Especialmente quando não buscamos assimilar sensatamente o que estudamos, pesquisamos e divulgamos em nome do Espiritismo.
A ainda polêmica questão se Jesus teria tido ou não um corpo físico ou fluídico está plenamente esclarecida nas obras básicas organizadas por Allan Kardec, o inconfundível mestre lionês.
O Espiritismo nos ensina, sem nenhum dúvida, que Jesus veio ao planeta Terra como o maior de todos os Espíritos que já reencarnaram neste mundo de provas e expiações. Mas da mesma forma que todos reencarnam.
Ou seja, o modelo espiritual para todos nós foi concebido, amamentado e cresceu normalmente como uma criança excepcional que era, e mais tarde, aos 33 anos de idade, assumiu a sua sublime missão de reformador moral da humanidade.
Se assim não fosse, Deus estaria usando dois pesos e duas medidas com suas criaturas humanas.
Tal idéia sobre a natureza do corpo de Jesus não é nenhuma novidade. No século IV, Apolinário da Laodicéia, chefe da seita dos Apolinaristas, sustentava que Jesus não havia tomado um corpo como o nosso, mas um corpo “impassível” (agênere), que descera do céu para o seio da Santa Virgem e nascera dela.
Os Decetas, seita numerosa dos Gnósticos, que subsistiu durante os três primeiros séculos, tinham a mesma crença.
A tese do corpo fluídico de Jesus foi introduzido no meio espírita por intermédio da obra “Os Quatro Evangelhos – A Revelação da Revelação”, obra de J. B. Roustaing, advogado francês que, no tempo de Kardec, publicou o livro cujo conteúdo fora supostamente ditado pelos evangelistas e pelo profeta Moisés.
Como se vê, nem sempre assimilamos o que realmente é sensato e racional. O livre arbítrio, nesse caso, pode nos levar a entrar em contradição com o Espiritismo que julgamos estudar e divulgar com coerência.
A publicação da obra mistificadora de Roustaing se deu em abril de 1863. Em junho do mesmo ano, Kardec refutou por meio de artigo a tese do corpo fluídico de Jesus. A Revista Espírita confirma o pensamento do mestre lionês.

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