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Cadeia não educa nem socializa ninguém

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Postado 4 de fevereiro de 2016 às 14:20   /   por   /   comments (0)

A redução da maioridade penal volta a ser assunto de interesse público depois que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal aprovou a constitucionalidade da proposta. O texto será discutido por uma comissão especial que terá cerca de três meses para analisar o conteúdo.

Abordado pela imprensa, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, disse que a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos “não resolve o problema da criminalidade no País”.

Na opinião do ministro, seria oportuno discutir medidas alternativas como, por exemplo, a ampliação do tempo de internação dos menores infratores.

Faço meu o pensamento sensato de Marco Mello. Também não acredito que o sistema prisional brasileiro melhore o caráter e a natureza espiritual de quem não se arrepende dos crimes cometidos contra a sociedade e os homens de bem.

Em entrevista exclusiva a gazetinha Kardec Ponto Com (março de 2015), o jornalista e escritor carioca, Wilson Longobucco, foi taxativo quando disse que “o sistema prisional do País está falido, com raríssimas exceções”.

Longobucco sabe o que diz porque ele trabalha há quase 40 anos dentro de presídios do Rio de Janeiro, levando apoio e orientação moral aos assistidos pelo Departamento de Assistência ao Presidiário (DAP) da Instituição Espírita Colaboradoras do Bem Amèlie Boudet.

Um trabalho que a maioria dos espíritas não gosta de fazer. Tem quem diga que “gente ruim tem mesmo que mofar na cadeia”. Uma falta de caridade absurda que a Doutrina dos Espíritos não ensina a ninguém.

Como espíritas conscientes do papel a ser desempenhado na sociedade civil organizada, não devemos aceitar essa redução da maioridade penal como “castigo” aos menores que são atraídos para o mundo da criminalidade, acreditando que compensa viver do dinheiro sujo de sangue das suas vítimas.

Espero mesmo que nossos legisladores encontrem um denominador comum para resolver o problema dos menores delinquentes brasileiros, sem passar por cima do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente e dos Direitos Humanos.

Eles merecem ser tratados como seres humanos, mesmo que apresentem uma personalidade distorcida e incontrolável tendência para praticar o mal. O Estado tem obrigação com cada um dos criminosos que cresceu e se fez homem, sem receber o devido cuidado para fazê-lo um cidadão instruído, esclarecido e educado.

O descaso com a manutenção das escolas públicas por este Brasil afora, o desvio de verbas na compra da merenda escolar, os ônibus sucateados que transportam estudantes pobres no interior do País são quadros reais da gestão pública marcada por interesses eleitoreiros.

O que esperar de uma juventude pobre e abandonada quando se sabe o quanto é roubado dos cofres públicos, em nome da corrupção que está se tornando prática recorrente de governo para governo?

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