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Decretos de Natal

Decretos_Natal
Postado 3 de dezembro de 2015 às 18:57   /   por   /   comments (0)

Por Frei Beto

Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes, nos fazermos presentes junto aos famintos e excluídos, como propõe o Papa Francisco. Papai Noel seria esquecido e lacradas as chaminés, abriremos corações e portas à chegada salvífica do Menino Jesus. Fica decretado que encantaremos as crianças de mistérios ao professar Jesus que se fez homem entre nós. Não mais recorreremos ao velho barbudo de sorriso ridículo, e sim aos relatos bíblicos que narram o mais singular dos feitos históricos; em Belém, Jesus se tornou humano para que possamos nos tornar divinos. Fica decretado que o Natal não mais nos travestirá no que não somos, neste verão escaldante; arrancaremos da árvore de Natal os algodões de falsas neves; trocaremos nozes e castanhas por frutas tropicais; renas e trenós por carroças repletas de alimentos não perecíveis e se algum Papai Noel sobrar por aí, que apareça de bermuda e sandália. A sobra de um é a necessidade de outros, quem reparte bens partilha Deus. Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusiva o telefone celular e, recolhido à solidão, ao silêncio, faremos uma viagem ao interior de nosso Espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor. Fica decretado que, despidas de pudores, as famílias farão ao menos um momento de oração, lerão um texto do Evangelho, agradecendo ao Pai de Amor o dom da vida, as alegrias do ano que finda, e até dores que exacerbam a emoção. Fica decretado que tiraremos a espada das mãos de Herodes e nenhuma criança será mais condenada ao trabalho precoce, violentada, surrada ou humilhada. Todas terão direito à alegria, à saúde e à escola, ao pão e à paz, ao sonho e à beleza. Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino Jesus, trataremos de sepultar iras e invejas, o orgulho, a vaidade, a arrogância, as amarguras e ambições desmedidas, para que o nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém.

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